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quinta-feira, 1 de março de 2012

Sinopse do livro que eu não escrevi...



Singular! Assim o descreviam todos aqueles que com ele se cruzavam. Um bom menino! Era o que dizia a sua mãe, sempre orgulhosa e protectora, nele projectando todos os sucessos e todas as esperanças. Um bon-vivant! Era assim conhecido entre os amigos de faculdade, tantas vezes traídos pelo ciúme da vida folgada e despreocupada que levava, da agitação social que o envolvia e do sucesso garantido entre o sexo feminino. Um workaholic com uma ambição desmedida! Comentavam pelos corredores os colegas de profissão, os colaboradores, os adversários mais directos. Um Don Juan! Suspiravam as amigas, as colegas, as mulheres solteiras, as casadas e até as prostitutas que deambulavam e tropeçavam pelas esquinas do bar onde, impreterivelmente às quintas-feiras, tomava o seu copo habitual e se despia de máscaras e preconceitos, tornando-se mais mundano e mais real, permitindo a si próprio, por algumas horas, apenas ser, apenas sentir, apenas experienciar…

                De facto, Manuel Pedro não se podia queixar. Tinha uma vida quase perfeita! Cresceu no seio de uma família distinta, com todos os confortos que o estatuto social dos pais lhe podia propiciar. E nunca lhe faltou a atenção, o amor dos progenitores, o aconchego familiar. O seu percurso académico realizou-se sem sobressaltos. Fê-lo sempre com gosto e interesse sem que, por isso, tivesse que descurar as farras, os namoros, as paixões e as loucuras próprias da juventude. Viajou, conheceu mundo, apaixonou-se e desapaixonou-se. Trabalhou muito e construiu o seu próprio império, o seu próprio mundo feito de sucesso, de bom nome, de bons contactos e relacionamentos. No campo afectivo, seria feliz? Tinha, desde sempre, as mulheres mais bonitas, as mais vistosas, as mais ricas, as mais cobiçadas. Não! Raramente se apaixonou! Excluindo a sensual Catarina, a doce Rita e a exuberante Isabella, com quem manteve relações mais ou menos duradouras, jamais se apaixonara! O que, em termos práticos, também significava que raramente teria tido grandes desgostos de amor.

Então, a história de Manuel Pedro, agora quase a completar 50 anos, seria mais uma história feliz? Não poderia ter sido! Mesmo que naquela fatídica quinta-feira, à saída do bar, não tivesse avistado o velho Rafael do outro lado da rua. Mesmo que esse (re)encontro não tivesse acontecido, Manuel Pedro sabia que a excelência que sempre pautara a sua vida não podia permitir que carregasse tamanho segredo durante mais tempo. Era chegada a hora!

Que Deus te ajude, Manuel Pedro!

3 comentários:

  1. Obrigada, amiga! Tu sabes o gosto que eu sinto por tu gostares...

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  2. Carmo Melvill de Araújo8 de março de 2012 às 12:55

    Continua, Susana! Gostei muito!

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