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quinta-feira, 29 de março de 2012

De volta para a ilha que é nossa...


 
Quando se é ilhéu, vivemos a estranha sensação de ser-se pequenino – como se não conseguíssemos crescer mais um e mais um bocadinho! Vivemos o desconforto do limite e da limitação – como se numa ilha tudo fosse finito! Vivemos num déjà-vu permanente de lugares e, sobretudo, de pessoas – encontramos as mesmas todos os dias, privamos com os mesmos círculos de amigos, cruzamo-nos com as mesmas caras nos nossos percursos…
… e isso, aborrece-nos!
Quando se é ilhéu, temos sempre o mar como pano de fundo. Não há volta a dar! Ele está sempre lá! Ora encrespado, zangado ou furioso, ora cristalino, tranquilizante ou apaziguador… ele está sempre lá! É o espelho das gentes da ilha. Umas vezes, em jeito de contemplação, sonhamos percorrê-lo, transpô-lo, desilharmo-nos! Noutras, encontramos nele a paz, embalamo-nos na sua música e aconchegamo-nos no seu azul…
…e isso, reconforta-nos!
Quando se é ilhéu, queremos sair, voar, conhecer, abarcar infinitos, palmilhar outros caminhos, cruzar outras gentes. Sorvemos a imensidão de distantes lugares, espantamo-nos com o frenesim de estranhas cidades, rendemo-nos à nossa pequenez, maravilhamo-nos com diferentes culturas, reconhecemos outras fés, surpreendemo-nos com as semelhanças, com as disparidades, com as novidades…
… e isso, deslumbra-nos!
Quando se é ilhéu, somos feitos de verde e de brisa e de sol. O mar corre-nos nas veias, bordamos de sonhos os céus e os campos de poesia. Quando se é ilhéu, os beijos sabem a sal, os cabelos cheiram a musgos, os pés calçam-se de areia e os corpos vestem-se de espuma. Quando se é ilhéu, não queremos estar longe porque fazemos parte da ilha, porque somos ilha! E esquecemo-nos da nossa pequenez, dos desconfortos, das limitações, dos déjà-vus, dos aborrecimentos, dos deslumbramentos porque queremos pertencer, queremos ser feitos de verde e de brisa e de sol!
É o que estranhamente acontece sempre que estou a caminho de casa, sempre que venho de volta para a minha ilha, onde o verde ainda é de esperança, onde o céu é mais azul e onde o mar é o meu espelho e o meu aconchego…

… e isso, deixa-me feliz!

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